O amigo

Tenho uma amiga hilária que diz que tenho muito “sex appeal”. Realmente, adoro sexo, falar de sexo, fazer sexo, pensar em sexo. Acho que isso me deixa hiperssexualizada, não há explicação melhor do que essa. E o destino, a força maior, o diabinho que me rodeia colabora…Ohhhh se colabora.

Vou começar meu relato do dia 3 de outubro, pós eleição. Voto em outra cidade. Estava certíssima do meu voto. Fiquei doente sem poder viajar. Estava vendo os resultados e meus candidatos ganharam. Era post de lá, de cá, só se falava nos futuros prefeitos e vereadores.

Tenho um “amigo”, nem sei se podia chama-lo assim. Época de escola. Eu, 14 anos, virgem, pura, boba que só eu! Já adorava sexo. Mas ele? E os outros? Estavam longe de ser meu ideal. Eu tinha um tipo? Não! Eu tinha amigas! Cada cara, um defeito. Tinha esse, cujo apelido – apelidávamos todos os meninos do colégio – é impronunciável! O gordo que me amava, mas dava em cima de todas as meninas, o sarado que me assediava na caruda. Todos não valiam 1 real para mim, assim diziam as queridas melhores trezentas amigas. Ah! E tinha o best friend forever que era apaixonadinho, esses todos sabiam, inclusive eu, mas me fingia de morta, senão não aproveitaria os carinhos dele, a amizade, o poder deitar na cama lado e lado e ter certeza de que da minha parte nada rolaria. Filmes de terror, festinhas, o pobre confessou que se acabava na punheta. Mas melhor amigo para mim era assim. E eu não sentia tesão, infelizmente!

Esse cara, posando ao lado do candidato que eu votaria se estivesse lá. Vencedor. Ora essa, vamos curtir essa foto! Nada demais, dois caras abraçados, juras de amizade eterna, companheirismo e um estamos juntos para o que der e vier.

Quando olho Messenger piscando. Fulano de tal. E uma frase de efeito “adoro quando você curte meus posts”. Nem me lembro quando curti outros, enfim. Conversei sobre política. Meu candidato, seu candidato. Como está a vida, nunca mais te vi pela cidade e papo vai e papo vem… Outra frase de efeito “você sabe que me deve algo”. Han? Ele lembra? Mentira!

Eu, nem santa nem puta, soltei um “devo nada! ”. E me lembrei de uma história de 20 anos atrás! Sim, exatos 20 anos! Nesse momento me dei conta da minha senilidade. Me passou um filme pela cabeça. Eu tinha 14/15 anos! Ele mais velho um pouco. Me adorava! Pagava um pau quilométrico. Nunca, jamais, fui das bonitonas do colégio, muito menos a que chamava a atenção, exceto pelas coxas e bunda, que aquele saradão adorava elogiar. Vergonha! Eu ficava rosa, roxa, um camaleão em tons de vermelho. E com esse menino também. Época que eles insistiam em fazer corredor e mexer com as pobres donzelas indefesas! E lá estava ele… Eu passava e ele dizia “linda”, eu passava e ele dizia “oi”, eu passava e ele encarava. Eu ficava mega constrangida! Enfim, festa das nações no colégio. Resultado desastroso: meu primeiro porre!

Eu, bêbada, a mãe viajando, pude ficar até umas 22h na rua, sendo a escola a duas quadras de casa. Autorizada pela avó, sempre parceira! Bebi tanto vinho de garrafão que me larguei no banco do pátio da escola. Quando olho… Puta que pariu! Aqui não! Ele senta bem do meu ladinho e diz “quero te beijar”. Eu olho para ele, sem nem enxergar a boca do indivíduo e digo “então, beija! ”. Mas ele não me quis!!!! Disse que eu não lembraria e que queria um beijo eu estando sóbria.

No outro dia, sã, ele vem a mim e aquele amigo gordinho, pelo qual me apaixonei meses depois e nada deu certo, não deixou que ele chegasse perto. E eu estava muito mais constrangida.

Ele era um ser estranho. Nada bonito, pelo contrário, magrelo, espinhudo, mas só namorava mina gata! Não sei o que ele tinha, juro! Encontrei o garoto várias vezes em festas e shows na cidade. Nos falamos em algumas, mas eu sempre estava namorando. E não sentia nada, aliás, sempre constrangida.

Facebook para aproximar pessoas. Amigos em comum com familiares! Por isso nos adicionamos. Quem adicionou quem? Creio que eu, pois amigo de um familiar minha que o adora! Mas jamais havíamos nos falado exceto pelos avisos de aniversários.

Depois disso tudo esclarecido vamos ao ponto. Contei para umas amigas que não o conheciam. Elas disseram que depois de cinco anos a dívida caduca. Mandei essa para ele. Ele disse que acionaria “seus advogados”. Papo vai, papo vem… Ele diz que era louco por mim, se ainda havia tempo de me beijar. Disse que não. Já havia passado muito. Mas essa história me intrigava.

Toda vez que ele mandava mensagem, isso todo dia, eu ficava molhada, encharcada, enlouquecida! Ele também. Dizia que batia várias para mim, que ainda me achava linda. Mandou foto dele no banheiro. Sexy sem ser vulgar, peitoral de quem malha horrores na academia. Delicioso. Excitante.

Era dia de ir para a tal cidade. Fui. Ele perguntou se poderia me ver. Óbvio que não. Seria tão óbvio assim? Ele queria saber se eu havia me tocado pensando nele. Óbvio. Esse cara não existe! Após 20 anos e esse tesão voltar nele e me atingir dessa forma? Não parava de pensar nisso. Anos se passaram e havia os juros. Não éramos mais adolescentes. Beijos? Ele queria mais.

Ele me queria com tal intensidade que esquematizou tudo. Hora, lugar… Só havia uma barreira: o casamento dele e o meu.

Não dava para aceitar um caso. Não dava para diminuir o tesão. Não dava para fazer nada a respeito. Fui encontra-lo. Sexy, dentro do seu carro branco. Diferente do que eu lembrava pessoalmente – daquele momento do “então beija”. Cheiroso, másculo, delicioso. Se eu já estava molhada…

Não dava e até hoje não dá para entender que efeito causou em mim. Paguei o beijo e os juros de 20 anos de dívida.

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Sapiossexual, formada em psicologia com especialização em educação sexual Sempre disponivel para uma boa conversa. Escreve pra mim: annahein@mail.com

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